quinta-feira, 29 de março de 2012

10 e 27 de janeiro de 1930, no “A Tarde” - A queda do Gavião

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10 de janeiro de 1930, no “A Tarde”:

A FERA CAIU NO MATTO

Vae ser exhumado o corpo do bandido morto pelo vaqueiro
Não ha noticias positivas sobre o destino do bando sinistro de Virgolino Ferreira ou “Lampeão”.
Repellido em Mirandella pelo destacamento local, os “caibras” internaram-se nas caatingas, sem deixar rastro.
Noticias vindas hontem do nordeste informam com segurança o local em que foi enterrado o bandido morto proximo a Tucano por um vaqueiro de Queimadas
O dr. Madureira de Pinho sciente disso ordenou a ida ao local do dr. Xavier da Costa medico da Força Publica, para proceder ao indispensavel exame cadaverico.
Esse vaqueiro vae receber um premio pelo seu acto de bravura.
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27 de janeiro de 1930, no “A Tarde”:

O Vaqueiro que matou “Gavião”
Já está no museu do “Nina” o craneo do bandido
A ORAÇÃO DE SANTA MARTHA


Sempre constitue novidade qualquer reportagem em torno do grupo sinistro do famigerado Virgolino Ferreira, por alcunha Lampeão que ha annos se encontra pelos sertões praticando toda sorte de miserias.
Por esse motivo a A TARDE informada da chegada a esta cidade do dr. Xavier Costa, medico da Força Publica, em companhia do vaqueiro Domingos Ernesto da Costa, que conseguiu matar, em defesa própria, um dos caibras de Lampeão, procurou ouvil-os.

Dr XAVIER DA COSTA, quando em operações contra os revoltosos

O dr. Xavier da Costa, que sempre nos attendeu gentilmente, ao saber o motivo que nos levava á sua presença, foi logo nos dizendo:
- Trago uma novidade, meu amigo. O craneo de “Gavião”, o bandido que o vaqueiro Domingos matou na Lagôa das Emas. O corpo levou insepulto oito dias, quando mandaram enterral-o. Com a minha chegada ali procedi á exhumação que o dr. Madureira de Pinho me havia ordenado. Constatei logo o ferimento que causou a morte: o da axila esquerda que atravessou o corpo. Domingos deu ao caibra varias facadas. Declarou-me elle que “amiudou” a mão quando notou que “Gavião” arriava o braço.
Nesse momento, chegava á nossa presença o vaqueiro domingos. Lembramo-nos, então de interrogal-o sobre.

A MORTE DE “GAVIÃO”

O craneo de “Gavião” - Ao lado o vaqueiro Domingos, do arraial de Triunfo, atual Quijingue.

O vaqueiro que é um typo de sertanejo disposto, á nossa primeira pergunta contou:
- Quando Lampeão passou por Triumpho, de volta de Queimadas tomou ahi dois guias para leval-o aos “Algodões”. Eramos eu e um outro. Antonio de Engracia, que é um negrão alto, grosso, “Volta Secca” e “Gavião” fizeram-nos muitas perguntas. Não respondi satisfactoriamente, e por isso, recebi uma chibatada.
Como Lampeão já estivesse em caminho, aquelles caibras tocaram os animaes.
Fiquei atraz com “Gavião”, que entrou para o grupo em 14 de dezembro do anno passado, vindo de Pernambuco com mais tres caibras. Esse bandido queria a viva força que eu dissesse o nome da pessôa que tinha dinheiro nos “Algodões”.
- Não sei – respondi.
Foi o bastante para que elle me ameaçasse de morte. Temendo morrer, agarrei um dos fusis que elle trazia e arrumei-lhe na cara. “Gavião” saltou contra mim. Caimos no chão, embolados. Nesse interim, consegui pegar uma faca que elle segurava para me matar. Foi uma luta tremenda.
- Não me mate – gritou elle que me procurava enlaçar o braços.
Dei-lhe o primeiro golpe. “Gavião” defendeu-se com o braço, recebendo ahi um ferimento. Dei-lhe outro golpe e nova defesa do bandido. No terceiro, então, matei-o. A faca alcançou debaixo do braço.
Toquei para Queimadas e dahi para Villa Nova, onde entreguei ao cel. Dourado o fusil que tomei do bandido e 55 balas.

A ORAÇÃO DE SANTA MARTHA

O dr. Xavier da Costa, quando procedeu á exhumação do cadaver de “Gavião” encontrou no seu bolso, além de outras coisas, um breviario e innumeras orações. Algumas manchadas de sangue e de difficil decifração. Dentre essas conseguimos copia a de Santa Martha. Eil-a na integra:
Com as arcas do meu Senhor Jesus Cristo muito antes de subir com os tres bichos feroz, aquellas tres palavras santas que abrandas aquelles tres turcos bravos que vinha offender a Senhora S. Martha assim abrandarás o coração de fulano para comigo. Deus é. Deus quer. Deus no mundo acabarão com tudo quanto Santa Martha quizer. Amen.
Offereço esta a senhora Santa Martha
.”
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quarta-feira, 28 de março de 2012

23 de dezembro de 1926, no “A Tarde”

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23 de dezembro de 1926, no “A Tarde”:
ACABANDO O BANDITISMO
O sr. Washington Luis louva a acção do governo bahiano


O sr. Góes Calmon, governador do Estado, recebeu o seguinte telegramma do sr. Washington Luis, presidente da Republica, de referencia á repressão do banditismo no nordeste:
Palacio do Cattete, Rio, 21 – Accusando o recebimento do telegramma de v.ex., muito agradeço a communicação das providencias tomadas com o sr. governador de Pernambuco e é com a maior satisfação que louvo essa energica acção conjuncta, tendente a normalisar a zona sertaneja.
Attenciosas saudações.
Washington Luis
”.
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terça-feira, 27 de março de 2012

Ecos de Canudos no Cangaço... Depoimento de Edmar Rocha Torres

Edmar Rocha Torres
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Depoimento de Edmar Rocha Torres:
“O meu pai, Emar do Prado Torres, foi o engenheiro civil responsável pela abertura de estrada na região de Canudos, entre 1930 e 1932. Como a região estava infestada por cangaceiros, e era muito perigoso o trabalho, meu pai precisou prevenir-se... Dos cento e vinte trabalhadores contratados, vinte eram para proteção... Eram jagunços, que se revesavam em dois turnos, dia e noite, dez a dez... Às vezes com alguns a mais...
Acima, o chefe da obra, engenheiro Emar do Prado Torres, então com cerca de 25 anos de idade, aparatado para eventual defesa da obra.

E some a isto, na verdade, que todos os trabalhadores estavam armados com seus fusis... Isto é... Eram, na verdade, mosquetões... Acontece que, considerando a insegurança da área, o interventor, que havia adquirido os mosquetões apreendidos quando da revolta de São Paulo, da década de 1920, mandou distribuir entre os trabalhadores... Estavam, assim, todos armados... E o chefe deles era Pedrão, que tinha lutado em Canudos, e aparece, inclusive citado por Euclydes da Cunha...
Outro que lutou em Canudos, como líder, mas não apareceu nos relatos, foi Canário... Este também, com Pedrão, coordenava os jagunços.
O exército mandou uns oficiais especialistas em tiro para dar treino aos matutos... mas, quando chegaram lá, viram que os matutos eram, na verdade, jagunços formados e que entendiam de armas até muito mais que eles... E eram muito bons mesmo de pontaria e manejo... Aí, pros... oficiais bons de tiro... acabou virando um passeio e até mesmo aprendizado para eles próprios...
O Pedrão usava dois punhais... Um era aquele grande, atravessado na cinta... Outro era o pequeno, muito afiado também, que ele mantinha preso aqui, na coluna, abaixo do pescoço, nas costas, porque dificilmente alguém revistaria ali... Ele prendia com uma espécie de emplastro... É este punhal aqui...
Se mandassem levantar as maos, ele, com as mãos na nuca, estava com elas pertinho da arma...
Quando as obras estavam para acabar, o Pedrão o deu ao meu pai...

Punhal de Pedrão - atualmente no acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, doado por Edmar Rocha Torres.

Ele tinha um auxiliar terrível, famoso entre os outros jagunços... Era o “Gato”... Ele chegou até o meu pai indicado por Manoel Novaes. Tina um cabelo alourado longo, olhos muito azuis.
Ele disse:
- O seu Manoel Novaes pediu para eu proteger o senhor.

Ele tinha ido para lá também porque onde ele estava antes fora jurado de morte.
Era muito brabo... Ele sabia das coisas... porque também era de Serra Talhada, em Pernambuco... E todo mundo sabia dele e se pelava de medo e respeito... E ele era mesmo terrível... Só colocavam ele para missões de muita violência... Isto a tal ponto que ele não confiava em ninguém... Tanto fazia que sabia que estava marcado para morrer... Então, quando dava a janta, ele mesmo preparava as coisas dele, com todo cuidado, e comia... Pegava uma rede e sumia... Somente aparecia na manhã...
Na escuridão, caminhava, conforme ele disse depois ao meu pai, por cerca de dois quilômetros, em uma direção qualquer, escolhida para aquela noite... e que jamais repetia no todo... Então, por uns quinhentos metros, procurava uma situação em que ele pudesse pendurar a rede e ficar o mais escondido possível...


Acima, grupo de jagunços de um turno de defesa em construção de estrada, próximo a Canudos, em 1931. O segundo de pé, da esquerda para a direita é o chefe do grupo, o jagunço Pedrão, um dos líderes da Guarda Católica da rebelião de Antonio Conselheiro. Tendo sobrevivido ao drama de Canudos, emprestou sua experiência na liderança de jagunços contra os cangaceiros.
De pé, na frente, o jagunço apelidado Gato, tido como dos mais sagazes e violentos do grupo. Na mesma foto, à direita, um oficial do exército, enviado para dar instrução de uso das armas, mas que percebeu ser tal completamente desnecessária, em função do conhecimento dos jagunços.
Era ele o responsável pela segurança do meu pai, quando ele ia buscar o dinheiro para pagar as despesas da empresa, os funcionários e os jagunços...
Quando a obra acabou, meu pai pediu ao oficial responsável que as armas ficassem com os sertanejos. Colocou que eles poderiam ser alvo de vingança, por suas participações naquela defesa da estrada. Como não eram fuzis tombados, mas os tomados de São Paulo, o militar concordou, pegou os recibos de empréstimo e rasgou na frente do meu pai.

Quando tudo acabou, o Gato sabia que estava marcado e que se ficasse ali morreria... Aí, o meu pai trouxe o Gato para Salvador, e deu ele começou a trabalhar como um pacato jardineiro na casa da minha tia... Quem visse nem acreditaria quem ele era e do que era capaz...
Finalmente... um irmão dele que trabalhava em Santos, com um negócio daqueles transportes antigos... lotação... para empresas... chamou Gato e ele foi... Nunca mais se soube dele...

Nem mesmo o nome real do Gato eu sei... O mais terrível dos jagunços na imposição do regime de defesa contra os cangaceiros na empresa, sob a liderança do Pedrão...
Deste jeito... que bando de cangaceiros atacaria, ali, e quando? Nunca...
O meu pai, deitado na rede, aproveitando a presença desse cabra de Conselheiro, ia lendo a história do livro “Os sertões”, e ele, o Pedrão, sentado no chão, perto, ia dizendo se estava certo ou errado... Meu pai achou que ele era fidedigno, pois teve ocasiões que Euclydes creditou vitória aos jagunços e ele desmentia dizendo que tinham perdido tal e tal confronto... Ninguém mente contra si mesmo...
Finalmente, o Pedrão foi esmirrando... Veio a Salvador tratar de um câncer na faringe... e o meu pai que o apresentou aos médicos que poderiam ajudá-lo... Finalmente, voltou para morrer na terra dele... Acabou tão mal... Carregado numa gamela...


Pedrão, já idoso, com Manuel Ciríaco, dois guerrilheiros em Canudos.
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sexta-feira, 23 de março de 2012

27 de setembro de 1928, no “A Tarde”

27 de setembro de 1928, no “A Tarde”:
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Coronel João Borges de Sá
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A RAPOSA DAS CAATINGAS
Lampeão engana os seus perseguidores, fornecendo–lhes falsa pista
AS ASTUCIAS DO BANDOLEIRO


Isso mesmo. è a tactica delle para enganar. O coronel João Borges é um sertanejo de punhos solidos. O seu aspecto physico, a firmeza com que fala, embora a voz tenha fricções suaves, não enganam ao bom observador. se o bandoleiro lhe cae na unha pode estar certo do fim do seu romance de aventuras... Elle é uma testemunha preciosa das actividades do jagunço em territorio bahiano, senão de vista de visinhança, recolhendo depoimento de muitas pessoas que viram d eperto, embora temerosos da sua fama sanguinolenta. E é disso justamente que vamos tratar. O coronel João Borges de Sá, de Uauá, amigo da ordem e das autoridades, trouxe–lhes na sua viagem até a capital informações novas sobre Lampeão.
Entre tantas noiicias infundadas ou mesmo maldosas que correm mundo, apoiando–se num fundo de verdade remoto ou precario, esse depoimento tem o valor de pôr as coisas nos seus devidos logares. Já agora é o reporter quem se incumbe de fazer o homem falar:
– Esteve ou não esteve o homem em Barro vermelho?
– Esteve, sim senhor. Mas não o Barro Vermelho de Juazeiro, mas o de curaçá, distante da estação terminal da Estrada de Ferro, cerca de 20 leguas.
– E, dahi para onde foi?
– Tocou para o Pica Pau, de automovel, pela estrada de rodagem. Ahi pernoitou. Caminhou a pé, no outro dia, para o “Esfomeado”, onde tomou as montadas para si e para os seus.
– Quantos ao todo?
– seis com elle. Foram para a Fazenda Abobora, dahi a 14 legoas, botando distancia entre o seu grupo e as forças da policia distribuidas em Chorrochó, Patamuté e Varzea da Ema. sei que no dia 14 elle ganhou a caatinga e desappareceu. Nos dias 15 e 16 não se soube noticias, mas no dia 17 reappareceu na fazenda Mary, do dr. Raymundo Gonçalves, nos confins de Joazeiro, depois de ter desandado 8 leguas.
– P’ra diante e para traz...
– Isso mesmo. é a tactica delle para enganar a força...
– Ma sporque não os prendem, se são tão poucos?
– Isso não é assim tão facil, moço! Ha muitos annos que elle anda abaixo e acima pelo interior de quatro ou cinco estados e nunca lhe rpenderam. Parece extraordinario, mas só quem conhece o sertão, a caatinga, é que pode calcular como isso é facil para um homem como Lampeão, quando não se quer brigar... Aquillo é uma rapoza velha. segue por um caminho com a sua gente e vae perguntando onde fica tal ponto assim, assim; recebe as informações e vae andando; depois que já espalhou bem qual é o seu destino, cheg num logar de pedra, onde os cavallos não deixam rastro e embrenha–se pela caatinga. Quem é que pode prender um homem deste? Toma café montado, para ganhar tempo; dorme vestido, com o animal arreiado junto e assim pode vencer grandes distancias, exigindo do que o perseguem grandes fadigas e poucos exitos.
– Que veiu elle fazer na Bahia?
– Descançar.
– ?
– Sim, senhor. trouxe poucos homens da sua maior confiança. Elle já disse “Venho corrido dos “macacos” de Pernambuco. agora a policia bahiana não me deixa viver, vou embora tambem”.
verdade é que as forças da Bahia, sob o commando do capitão Hercilio, têm feito muito. Obrigam Lampeão a não parar, a andar nesse corro corre, para não ser preso...
– E os pernambucanos teem feito horrores por ahi...
– Alguns soldados de Pernambuco andaram dando surras e commetendo desordens. mas não são todos.
O commandante da força é o tenente Arlindo Rocha, pessoa muito direita e não tem culpa no que houve.
É que os soldados pernambucanos estão espalhados em pequenos grupos commandados por inferiores; alguns delles é que tem feito esses desmandos.
E depois de uma pausa:
– Não creio que se pegue o homem... Mas se elle para, a policia bahiana que o acompanha como uma sobra, agarra elle bem agarrado.
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terça-feira, 20 de março de 2012

"Uma pequena página na Memória..." por Orlins Santana de Oliveira


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Por Orlins Santana de Oliveira:
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“Eu fui avisado para ir ao cemitério e, lá, reclamei do diretor, sobre o estado da grande parede, que tinha rachaduras.
Ele me relatou:
– Você tem a missão de encontrar as famílias deles.
Dadá ainda era viva, mas muito doente... Sila também...
Achei Vera Ferreira, neta do capitão, que se propôs a vir de Sergipe para levar as cabeças para junto dos corpos.
Ao manusear a cabeça de Maria Bonita, retirei um cachinho de cabelos... E do capitão também... Ao manusear o osso temporal, retirei também, um cachinho de cabelos e uni aos dela...
Falando com Vera Ferreira e a irmã, que entregasse o tesouro a Expedita e guardasse aos pés de Nossa Senhora, Mãe de Jesus.
Quando acabei de falar, um vento fortíssimo varreu a frente do ossuário e, sem demora, saiu.
Verifiquei que o crânio de Maria Bonita, apos este acontecido, faltava um olho e o do capitão faltava um dente, que sumiu por um milagre, nas mãos das netas.
O redemoinho se foi e ficamos estatelados, parados, sem nada entender...
Fizemos a ata eu e doutor Lamartine. As netas também assinaram o livro de atas e o diretor do Cemitério da Quinta dos Lázaros...
As outras cabeças lá estão, em uma nova parede e em série horizontal e não vertical, e ao nível do chão.
Agora, os cachinhos estão nas mãos da filha com a qual nunca puderam conviver... juntos...”
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segunda-feira, 19 de março de 2012

Octacília... Uma provável filha do irmão de Lampeão


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Descoberto e comunicado por Orlins Santana. Este explica, em seu relato:
"Encontrada uma criança de Nome Octacília, e que como de praxe, a Santa Casa de Misericórdia colocava o sobrenome "Mattos" em todas as recebidas na roda dos expostos.
Otacília, no dia 31 de agosto ano de 1929, foi batizada em Miguel Calmon
Nascida a 26 de dezembro de 1929, filha legítima de João Ferreira da Silva e Anna Francisca Ferreira da Silva, incluída no livro do ano de 1927, em agosto de 1930, à folha 109, "Livro de batizados", no Arquivo paroquial de Santo Antonio de Jacobina, sendo padrinhos Porfirio Brandão Filho e D. Julina Fraga Brandão.
Padre Manoel Magalhães Araujo. As custas foram dispensadas devido os pais serem nimiamente pobres.
Otacília foi retirada pela mãe no dia 30 de Abril de 1949.
Era uma menina parda, que foi colocada "na roda" com 5 anos de idade, às 19:30 da noite, em maio de 1933, em bom estado de saúde, com camisola estampada, calçola de morim, capotinho de tricoline com bordados, camisa de morim usada. Com um colar de contas brancas e vermelhas, com um pedido do vigário de Jacobina.
Obs: A familia Brandão, também tinha membros em Serra Talhada.
Para acrescentar aos arquivos dos amantes do cangaço... Vera Ferreira viu este documento hoje pela manhã. Segundo Vera Ferreira, o tio que conheceram, tinha uma esposa com outro nome. Relatou que Expedita falou que ele, João, era mulherengo, e que tem sentido a matéria.
A menina ficou moça e saiu do orfanato com 21 anos, quando a mãe veio buscar.
Foi a única que saiu com vida. Espero que esteja ainda com vida, aqui em Salvador, pensei em sondar.
Ela é prima da filha de Lampião, então deduzo que, o envio de crianças, já era orientado pela familia Ferreira da Silva.
Agradeço a Deus, ter me iluminado, e fazer vir à tona para vocês.
O que me surpreende, é ter posto as mãos, nas primeiras buscas, logo neste livro, no meio de mais de 20 mil.
Deve ter um grupo, que é só energia, e não mais possue corpo, me guiaram, após ter sintonizado a capacidade e a dedicação.
O achado é impossível...
É por isso que se deve fazer o bem, amar as pessoas, não trair, não mentir. Pois lhe asseguro, que em toda minha vida duvidei, destes acompanhamentos, nunca acreditei. E por isto foi muito chocante, mas, rezo por êles. Muitos estão mergulhados num oceano de arrependimentos. Apesar da atualidade estar mil vezes pior, onde os grupos de cangaceiros, coiteiros e volantes eram uma bobagem. Agora é que se vê ampliado tudo aquilo.Te prepara viu nêgo, êles também estão te acompanhando. Trilhe sobre documentos e não dê asas à imaginação nem invencionice.
Nem tudo que existe, é o que você toca e vê. Se você foi sintonizado e sua energia é da mesma frequencia, aguarde.
Deus nos proteja
."
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O documento:

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Transcrição:
"Anno 1933 – Mês Maio – Dia 8
Pelas 19 horas 1/2 foi posta no Asylo de N.S. da Misericordia uma menina parda com 5 annos 1/2 de idade, em bom estado de saude.
Trouxe os seguintes objectos:
1 – Camisola de tuquim estampado
2 – Sombra de morim com renda de bilro
3 – Calçola de morim (usada)
4 – Camisa de morim usada
5 – Capotinho de tricoline com bordado de linha de côr (usado)
6 – Collar de contas brancas e vermelhas.
Com o seguinte attestado:
1 – Pedido /// Rvmo: Snr Vigario de Jacobina
Abaixo assignada Madrinha de Otacilia Ferreira, filha de João Ferreira da Silva e Anna Ferreira da Silva, carece para fins de caridade, da certidão de teôr do assentamento do seu baptismo, realizado na freguezia de Jacobina no anno 1929, pelo que vou pedil–a a V. Rvma mui respeitosamente
Nestes termos
P. deferimento
Julina Fraga Brandão

Bahia, 27 de Janeiro de 1933
Certidico que revendo os livros do Archivo parochial desta freguezia de Santo Antonio de Jacobina, de um dos livros, já findos, que serviu nos annos de 1927 ao mês de Agosto de (1930) mil novecentos e trinta para lançamento dos baptisamentos desta mesma parochia, delle consta a fls 109 o registro de teôr seguinte: “As trinta e um de agosto de mil novecentos e vinte nove o reveredissimo Vigario baptisou solemnemente em Miguel Calmon a Octacilia, nascida a vinte e seis de Dezembro de mil novecentos e vinte sete, filha legitima de João Ferreira da Silva e Anna Francisca Ferreira da Silva, sendo padrinhos Porfirio Brandão Filho e Justina digo Julina Fraga Brandão. Do que para constar lavrei o presente termo que assigno O Vigario P. Magalhães”
Nada mais continha o termo acima, ao que fielmente copiei e concertei. Ita pi fide parochi Jacobina matriz de Santo Antonio em 15 de Fevereiro de 1932. O Vigario
Pe. Maneol Magalhães Araujo
Dispensada de emolumento por ser miniamente pobre e nada poder por si nem por sua mão
Jacobina 15 de Fevereiro de 1933
Pe. Magalhaes
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Observações
Sahiu no dia 30 de Abril de 1949 em companhia da genitora
."
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quarta-feira, 14 de março de 2012

Eco do combate da "Fazenda Maranduba"

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Um dos combates referenciais do Cangaço foi o Fogo da Fazenda Maranduba.
Os militares e jagunços aliados foram duramente fustigados.
Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.
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Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 8 de Março de 1940.
Do soldado 2898 ANTONIO TEODORO CHAVES

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

Tendo sido baleado no combate contra o grupo de “Lampeão”, no dia 9 de Janeiro de 1932, quando fazia parte da “Col.Ten. Liberato” comandada pelo Sr. Cap. do E.N. Liberato de Carvalho, na fazenda “Maranduba”, Municipio de Poço Redondo, Estado de Sergipe, venho de solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem, a bem dos meus direitos. Nestes têrmos, pede deferimento.

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Eco do combate da "Fazenda Cajazeira"

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Um combate pouco conhecido e comentado, em termos de estudos do Cangaço, foi o Fogo da Fazenda Cajazeira, no Município de Cipó.
Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.
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Transcrição:
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TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 11 de Março de 1940.
Do soldado ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, soldado do 4º B.C., adido ao D–NE., tendo sido acidentado no combate contra o grupo de “Lampeão”, havido na Fazenda Cajazeira, Município de Cipó, Estado da Bahia, no dia 11 de Agosto de 1932, quando fazia parte da “Coluna Tenente Ladislau”, que operava no Nordéste do Estado, vem, mui respeitosamente, a bem dos seus interesses, solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem.
Termos em que espera e PEDE DEFERIMENTO.

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Observações de João de Sousa Lima sobre o livro "Maria Bonita" de Antonio Amaury Corrêa de Araújo

Antonio Amaury Correa de Araújo e João de Souza Lima - Imagem do blog http://culturacrato.blogspot.com.
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Um dos grandes fundamentos do Conhecimento Científico é o submetimento a um salutar escrutínio público.
Neste são referendadas, corroboradas, rejeitadas, corrigidas as colocações de publicações.
Neste contexto, as observações de João de Sousa Lima sobre o livro "Maria Bonita", do estudioso e autor referencial Antonio Amaury Corrêa de Araújo vêem à luz para somar.
Desta maneira, aqui reproduzimos as, como sempre, interessantes e pertinentes observações deste também estudioso e referencial autor lançadas no site:
http://www.joaodesousalima.com/2012/03/antonio-amaury-e-algumas-consideracoes.html
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"Considerações sobre o livro Maria Bonita de Antonio Amaury."

O livro Maria Bonita de autoria de Antonio Amaury Correa de Araújo, lançado pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, coleção Gente da Bahia, n° 17, 1ª edição, Salvador, 2011, precisa em uma segunda edição passar por uma correção quanto algumas informações.
Na introdução, pagina 19, linha quatro, Amaury escreve “Zé de Neném” e o certo é “Zé de Nenê”. Seguindo na mesma linha Amaury diz que Maria abandonou o marido pra seguir Lampião e o certo era que eles estavam separados e quando Maria seguiu para o cangaço ela saiu da casa da avó que residia no povoado Rio do Sal, em Paulo Afonso, Bahia. Ainda no mesmo capitulo Amaury diz que o apelido de Maria Bonita só ficou conhecido próximo do fim do cangaço e o jornal “tal do dia tal”, porém 3 anos antes já cita esse apelido.
Na pagina 20 Amaury faz um análise equivocada quanto à entrada das mulheres no cangaço dizendo que elas entraram nos grupos em busca de liberdade, procurando sua independência e a verdade é que foram vários os motivos que levaram as mulheres a serem cangaceiras, algumas foram raptadas como foi o caso de Dadá de Corisco; A cangaceira Dulce foi contra sua vontade sendo trocada por correntes e anéis de ouro, troca realizada entre seu cunhado e o cangaceiro Criança, então não podemos generalizar que as mulheres foram para o cangaço em busca de uma aparente liberdade, essa é uma informação precipitada para a compreensão aproximada do que foi o cangaço.
Na página 26 Amaury fala que a cangaceira Antonia Maria de Jesus vivia com Gabriel Lima (Baliza) e na verdade o nome de Baliza é Venceslau Xavier, ele era irmão de Ferrugem (Martins Xavier) e de Lilí (Maria Xavier), eram filhos de Francisco Xavier e Ana Xavier, nascidos no povoado Juá, Paulo Afonso, Bahia.
Na pagina 41 o autor fala que Lampião e seu bando jamais agiram na região do agreste de Pernambuco e eu pergunto: Será que ele conhece geograficamente onde fica Serrinha de Catimbau, próximo a Garanhuns, lugar onde Maria Bonita foi baleada?
Na página 44 Amaury diz que Maria Bonita contribuiu para a independência do sexo frágil, essa é uma afirmação muito fácil de ser escrita e difícil de ser analisada e entendida, para compreendermos algumas questões sociais é necessário nos remetermos às questões do gênero, nesse sentido mulheres e homens assumem como sujeitos coletivos papéis semelhantes na trajetória do cangaço. Pode-se dizer que as mulheres no cangaço buscaram outros caminhos, impuseram identidade própria, criaram estratégias de sobrevivência, ao menos se sabe que o cangaço e os homens não foram mais os mesmos com a presença das mulheres, nem as mulheres foram mais as mesmas, não por causa da condição do feminino, mas pela condição humana do Ser da MULHER.
Na página 46 Amaury diz que Maria Bonita quando chegou o mundo já encontrou irmã e irmão e a verdade é que Maria foi a segunda gravidez de Dona Déa e quando ela nasceu só tinha a primogênita Benedita Gomes de Oliveira, então o primeiro filho não foi o Zé de Déa como vem nas linhas seguintes.
Na pagina 47 Amaury faz uma relação falando dos irmãos de Maria Bonita e nessa relação faltou o nome de Isaías Gomes de Oliveira, o mais novo irmão da Rainha do Cangaço.
Entre as paginas 50 e 51 Amaury falando sobre o encontro entre Lampião e Maria Bonita, ele diz que eles se conheceram depois da terceira visita do cangaceiro a Malhada da Caiçara e a verdade é na primeira vez que Lampião esteve lá levado pelo senhor Odilon Café, tio de Maria bonita e coiteiro da vizinha fazenda Sítio do Tará, Lampião já encontrou com Maria e ela estava separada do marido há uns 15 dias.
Na pagina 54 Amaury diz que na época da paquera entre Lampião e Maria a futura cangaceira respondendo a Lampião sobre os argumentos dele em não poder levá-la para o cangaço pelas dificuldades de sobrevivência ela teria respondido que montava tão como qualquer cabra do grupo. Amaury continua o texto dizendo que os cangaceiros nesse tempo andavam a cavalos e muares.
Na verdade é pouco provável que essa conversa tenha existido por que Lampião quando esteve na residência dos pais de Maria, acompanhado de Odilon Café eles estavam sem montarias, qualquer dúvida é só checar com as duas filhas de Odilon que ainda residem no povoado Sitio do Tará e que são remanescentes daquela época, por sinal elas chamam-se Olindina Café e Maria Café.
Na pagina 74 Amaury narrando o combate da Lagoa do Mel diz que dois soldados sobreviventes ao massacre foram mortos por sertanejos e que depois entraram para o bando de Lampião e a verdade é que dois desses soldados que fugiram ao cerco encontraram com os cangaceiros Gato, Catingueira e Mané Revoltoso e os cangaceiros o mataram; outro soldado conseguiu chegar até o povoado Salgadinho, justamente na casa da irmã da cangaceira Lídia, de Zé Baiano. O soldado foi preso por João Garrafinha, Nicó, Manú, Dé e Lino de Zezé, sendo morto por eles e enterrado na Serra do Padre; Lino de Zezé pegou aas armas do soldado e foi se apresentar a Lampião e passou a ser o cangaceiro Pancada.
Quando Amaury fala sobre a morte de Zé Pretinho o texto torna-se uma grande confusão, dizendo que ele foi preso na casa de um dos filhos de Generosa e que foi amarrado nos caibros da casa de Virgília, irmã de Mané Veio; Entre a casa de Virgília e Generosa existe uns 20 quilômetros de distância. Na verdade Zé Pretinho foi preso por Douradinho nas proximidades do povoado Arrasta-Pé e passou com ele todo amarrado, montado em um burro, na casa da cangaceira Durvinha. Dona Santina, mãe de Durvinha, tentou dar um copo com leite a Zé Pretinho, o Douradinho quebrou o copo jogando-o na calçada da casa.
Zé Pretinho foi morto na frente da casa de Generosa, amarrado em um pé de barriguda, onde fizeram “tiro ao alvo”, depois de morto foi esquartejado e deixado no lugar; Generosa mandou enterrá-lo lá mesmo, existindo ainda no lugar o túmulo de pedras e uma cruz de ferro que marcam o lugar da tragédia.
Na página 128 Amaury narra um romance acontecido entre João Maria de Carvalho e Maria Bonita, romance esse só afirmado por um sobrinho de João Maria que reside em Jeremoabo e com fama de mentiroso. Os depoimentos carecem de comprovações, de estudos mais detalhados, de análises e confrontações, esse é um princípio básico para a vida do pesquisador, do historiador, do autor de livros históricos.
Na página 136 Amaury faz grande confusão deixando o assunto sobre Maria Bonita e entrando na morte do cangaceiro Sabiá, sendo uma história totalmente equivocada, dizendo que Sabiá foi morto por uma volante e Sabiá, todos sabem, foi morto pelo próprio Lampião, em Paulo Afonso, no povoado Lagoa do Rancho, por ter estuprado Rita, uma moça com 15 anos de idade e filha dos coiteiros que estavam fazendo o almoço dos cangaceiros nesse dia.
Na página 139 Amaury se referindo a cangaceira Aristeia sendo do grupo de Moreno diz que Moreno era paraibano e a verdade é que Moreno era pernambucano da cidade de Tacaratu, que fica muitos quilômetros do estado paraibano.
Na pagina 140 Amaury diz que Aristeia não conhecia nenhum dos cangaceiros que foram mortos na Grota do Angico e a verdade é que Aristeia conhecia o Quinta- Feira (Jorge Horácio), foram vizinhos e ainda tinham laços familiares, além de que o Jorge Horácio foi um famoso vaqueiro na região e admirados por todos.
Na página 142 Amaury diz que o cangaceiro Volta Seca andava com uma chibata e uma palmatória para ser castigado pelos próprios companheiros quando cometesse algum erro em sua vida. Essa é uma afirmação difícil de acreditar e que nunca ouvi de nenhum dos meus entrevistados, inclusive dos filhos de Adão e Roxo, os homens que prenderam Volta Seca que estão vivos, residindo no Lagoa Do Onça, local onde prenderam o cangaceiro, são remanescentes da história e afirmam que nos bornais do cangaceiro, revistados por seus pais, não foram encontrados esses materiais citados por Amaury. Quem em sua sã consciência gosta de ser punido e tão severamente, principalmente estando no meio de pessoas que cometiam tantas falhas, insubordinações e erros?
Na página 165 Amaury incorre novamente no erro de dizer que Zé de Déa era o irmão mais velho de Maria e novamente eu digo que Benedita Gomes de Oliveira foi a primeira gestação do casal Zé de Felipe e dona Déa.
Na página 199 Amaury diz que a Malhada da Caiçara na época do cangaço pertencia ao município de Jeremoabo e o certo é que na época do cangaço pertencia à Santo Antonio da Glória, cidade de onde foi emancipada a cidade de Paulo Afonso, em 28 de julho de 1958.
Na primeira página da galeria de fotos a primeira foto tem por crédito o nome Luiz Ru e a verdade é que essa foto é do meu arquivo pessoal e me foi presenteada pela amiga Glória Lira, eu possuo o original para comprovações.
Na página 260 as fotos de Zé de Felipe e dona Déa também são de meu acervo, assim como da página 261, de Zé de Déa, ainda as fotos da página 262 de Joana, Benedita, Francisca e Ozeias são todas do meu acervo, inclusive lançadas em primeiro plano no livro biográfico de minha autoria: A Trajetória Guerreira de Maria Bonita, A Rainha do Cangaço.
Paulo Afonso, 03 de março de 2012.
João de Sousa Lima
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João de Sousa Lima é Pesquisador e Historiador, Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso. Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço.
telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501
email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br
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terça-feira, 13 de março de 2012

"Cangassu" -> Cangaço

Alguns erros, equívocos, enganos, impropriedades e incertezas quanto à identificação aparecem em algumas imagens que figuram em algumas publicações ligadas ao Cangaço.
Esta postagem visa agregar as indicações localizadas de tais ocorrências.
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No livro "Derrocada do Cangaço", de Felippe de Castro, aparecem alguns erros.
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A imagem abaixo, no livro de Felippe de Castro, é dada como “Grupo de Mariano, dizimado pela coluna Rufino em 29.10.936, na fazenda Cangaleixo, Caruru, Estado de Sergipe."

Na verdade, trata–se de um grupo tendo, à frente, Zé Bahiano, seguido por Zé Sereno, Manuel Moreno e um cangaceiro desconhecido.
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A legenda da fotografia, no livro de Felippe de Castro, identifica os presentes como "José Baiano e Lídia”

Na verdade, a cangaceira presente é Rosinha, que foi companheira do cangaceiro Mariano.
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No livro de Felippe de Castro aparece uma legenda de fotografia: “Bandidos do grupo de Corisco mortos pelo soldado João Torquato, rastejador da coluna Antônio Recruta.”
No texto vizinha, são citados os cangaceiros como “Guerreiro” e “Roxinho”;

Na verdade são os cangaceiros Bom–de–veras e Cruzeiro. Ressaltando-se que houve outros "Bom-de-veras".
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No livro “Lampeão”, de Optato Gueiros, em sua quarta edição, editorada Pela Livraria Progresso, de Salvador, Bahia, em 1956, aparece:
A identificação correta é:
Atrás, da esquerda para a direita, Ezequiel, o "Ponto Fino", Calais, Fortaleza ou Revoltoso, Mourão e Volta-Secca. À frente, da esquerda para a direita. Lampeão, Virgínio, o "Moderno", Zé Bahiano e Arvoredo.

No livro de Oleone Fontes, "Lampião na Bahia", em algumas edições aparece a imagem abaixo com o seguinte texto:
Grupo de Zé Sereno. A cangaceira que está sorrindo é Enedina, que morreu em Angico, em 28 de julho de 1938, no mesmo dia em que tombou Lampião.”

Entretanto, a cangaceira sorridente que aparece marcada é Adília, companheira do cangaceiro Canário, que aparece à direita desta, na foto.
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No livro “Lampião, Rei do Cangaço”, de Eduardo Barbosa, datado de 1968, surge a imagem abaixo com a legenda "VIRGINIO, cunhado de Lampião (1o plano), Corisco e Durvinha."
Na verdade, Virginio está corretamente apontado, só que, àquela altura, era viúvo da irmã de Lampeão. Realmente, a mulher que aparece é Durvinha, por então companheira de Virgínio. Entretanto, Corisco não está presente na foto, sendo o outro cangaceiro Luiz Pedro.

Ainda Eduardo Barbosa coloca uma outra legenda para a foto abaixo.
"CORISCO, O Diabo Louro, vingador de Lampião"
Na verdade, o cangaceiro que aqui surge não é Corisco, porém, mais uma vez, é Luiz Pedro, que se apresenta dançando com cangaceira de identidade desconhecida.
Esta é sugerida por alguns estudiosos como sendo Maria Jovina, a Maria de Pancada.
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No livro “A última semana de Lampião”, do autor Juarez Conrado, em sua segunda edição, aparece a imagem abaixo, com a seguinte legenda: "Maria, Azulão, Canjica e Zabelê, todos decapitados na gruta do Angicos."

Embora os nomes dos cangaceiros estejam corretos, estes não morreram no massacre de Angicos, que ocorreu em 1938, mas em outubro de 1934, no embate da Fazenda Lagoa do Lino, que se situa em região de litígio entre os municípios baianos de Várzea do Poço e Serrolândia.
Já em outra edição do mesmo livro, a mesma figura aparece da seguinte maneira:
Aprofundou-se, portanto, o erro.
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Já na publicação “Caminhos de Lampião”, de Rubens Rocha, publicada em 2005, aparece a seguinte imagem com a sua identificação: “Maria Bonita pronta para a guerra, com Moça ao lado”



A cangaceira à esquerda, efetivamente, é Maria Bonita. Entretanto, aquela que aparece à direita não é Moça, mas sim Dadá.

No livro "De Virgolino a Lampeão”, de Vera Ferreira e Antonio Amaury, publicado em Aracaju, em 2009, aparece:
Descritos como "Nazarenos", na verdade, são os cangaceiros Arvoredo, à esquerda, e Calais, à direita.

No livro “Lampião: as mulheres e o Cangaço.” São Paulo (São Paulo), publicado em 1985, de autoria de Antonio Amaury Correa de Araújo aparece:

O cangaceiro identificado como Luiz Pedro, na verdade é Virgínio, o "Moderno".
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Como citar
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Vital Soares

"Vital Soares" - pintura do acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Em alguns dos famosos bilhetes, Lampeão, jocosamente, se referiu ao “governadô Vital Suó”...
Vital Henrique Batista Soares nasceu a 3 de novembro de 1874, em Água Preta, atual Uruçuca, na época povoação pertencente ao município de Valença, Bahia.
Bacharel em Direito, formado pela Faculdade de Direito da Bahia, em 1898.
Após se tornar promotor público, em Macaúbas, seguiu trajetória onde se destacam:
1908 a 1911 – vereador, em Salvador
1917 – diretor do Banco Econômico
1925–1926 – senador estadual
1926–1927 – deputado federal
1928–1930 – Governador da Bahia

Posse de Vital Soares como Governador da Bahia


Candidato a vice–presidente na chapa de Júlio Prestes, em 1930, não chegou a tomar posse, devido à Revolução de 1930.
Assumiu como professor honorário da Faculdade de Direito, em 1932.
Faleceu a 19 de abril de 1933, em Salvador.

Vital Soares em seu esquife. - Jornal "A Tarde"
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Fonte das informações: Revista da Fundação Pedro Calmon
Jornais "Diário de Notícias", "Estado da Bahia" e "A Tarde"
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sexta-feira, 9 de março de 2012

20 de dezembro de 1926, no “A Tarde”

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20 de dezembro de 1926, no “A Tarde”:

PARA ACABAR COM O BANDITISMO
Uma conferencia dos chefes de policia da Bahia, Alagôas, Pernambuco, Parahyba, R.G. do Norte e Ceara
O SR. MADUREIRA DE PINHO IRÁ, NO GELRIA, A RECIFE


Desde sexta–feira que circula a noticia de que o sr. Madureira de Pinho, chefe de policia, vae viajar. Do logo tivemo a sua confirmação com este telegramma que nos foi dado ler, dirigdo pelo novo governador de Pernambuco ao seu collega bahiano a proposito da repressão do banditismo annunindo a Bahia em representa–se na dita conferencia por intermedio do seu secretario da Securança Publica, que deve embarcar no “Gelria”, no dia 24. O despacho em questão é po seguinte:
“RECIFE, 15 – Após verificar a situação real da zona sertaneja, depredada por diversos grupos de bandidos, cujo numero não é exaggerado calcular em quatrocentos e ser impossivel combatel–os efficazmente sem a acção conjuncta e bem orientada dos Estados limitrophes, tambem por elles frequentados, estou augmentndo a força volante commandada pelo major Theophanes Torres, incumbido da perseguição aos bandoleiros, estando regularmente guarnecidas as principaes cidades e villas da zona infestada. mpossivel, entretanto, evitar os assaltos ás fazendas e comboios de estradas e aos viajantes e bem assim impedir a facil movimentação dos bandidos bem montados, não contando com a condescendencia ou protecção. Nessas condições apello para V.Ex. afim de organizarmos uma acção simultanea contra o banditismo, devendo mesmo ser estudado e assnetado em reunião dos chefes de policia Bahia, Alagoas, Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Contando com a acquiescencia de V.Ex. e sendo urgente as medidas energicas entendo que a reunião si poderá effectuar aqui, no dia 28 do corrente. Aguardando resposta, saudo V.Ex. cordialmente. (a) Estacio Coimbra”
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O PAPEL DA BAHIA
Faltariamos á justiça de não lembrarmos aqui que, á Bahia, ao seu actual governo, coube á iniciativa de acabar com o banditismo nordestino, combinando providencias com os estados que lhe são limitrophes tendentes ao reciproco fechamento de fronteiras. Nesse sentido, o sr. Mario barbosa, official de gabinete dpo sr. governador executou este anno delicada commissão, indo á varias capitaes do Norte em prosseguimento de trabalhos aqui iniciados, concluindo pela obtenção de alguns convenios iner–estadoaes que seriam depois sanccionados pelos respectivos orgãos de goevrno como effectivamente o foram. Foram estes os accordos officialisados:
decreto bahiano 4.241 de 21 de janeiro deste anno, referenado pelo sr. Madureira de Pinho e assignado pelo sr. Góes Calmon, approvando convenios; idem decreto pernambucano n.16, de 5 de janeiro de 1926, referendado pelo sr. Luiz Cabral de Mello e assignado pelo sr. Sergio Loreto; idem decreto alagoano n.5 de 8 de janeiro, com as assignatuas do governador e respectivo chefe de policia; idem, idem sergipano, dec. n.917, de 12 de janeiro de 1926, com as assignaturas dos srs. Carlos Alberto Rolla e Graccho Cardoso.
Isto posto, a Bahia, pelo menos não se deixou ficar no papel, o que incontestavelmente representa uma grande medida de repressão á desordem e de tranquilidade publica. E provou–o em successivas providencias, algumas das quaes por guardarmos de memoria, aqui vão: enviou um destacamento de cem praças, commandado pelo capitão Arthur Cortes, para guarnecer Santo Antonio da Gloria; outro commandado pelo capitão Hermogenes Pires para defender Curaçá; ainda outros commandados pelos tenentes Romão e Alfredo Antunes para pontos ameaçados do nordeste e, mais recentemente, uma força de 130 praças, sob o commando do tenente Pedro Dorea, para Petrolina, força essa que se encontra hoje guardando as cidades pernambucanas de Cabrobó e Boa Vista.
Accrescente–se que essa movimentação de soldados da Força Publica bahiana foi em sua maior parte determinada pela actividade do celebre bando de Lampeão que algumas vezes se approcimou de nossas fronteiras, de onde logo se affastava pelo conhecimento de que o castigo não demoraria.
O rebate, portanto, que agora dá o governo pernambucano não é original. poderá reforçar o trabalho feito, dando execução obrigatória integral na parte do guarnecimento das fronteiras e negociando novos convenios que acabem de fechar o circulo de ferro dentro do qual o banditismo terá fatalmente que morrer asphixiado.
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quarta-feira, 7 de março de 2012

17 de novembro de 1926, no “A Tarde”

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17 de novembro de 1926, no “A Tarde”:

PETROLINA AMEAÇADA
Lampeão e o seu bando rondam por perto
JOAZEIRO, CIDADE FRONTEIRA, CORRE SERIO PERIGO


Affeito, já, ás mais audaciosas tentativas, algumas das quaes coroadas de pleno exito, o homem que, actualmente, encarna a expressão maxima do cangaço nordestino, investe, agora, contra Petrolina, no Estado de Pernambuco.
Si a audacia do bandido o levar a arremetter ás claras, lealmente, temos fartas razões para crer no insuccesso de sua empreza! – porque o governo do Leão do Norte mobilisou, sabiamente, ali, o unico elemento capaz de se haver com o cangaceiro: - o sertanejo.
Os homens que compõem a força, sob o commando do major Theophanes, não conhecem as manobras militares, nem vestem farda. Usam alpercatas de rabicho, cartucheira bordada, parnehyba e carregam o fizil com a deselegancia do jagunço. Lutam, liberrimos, sem as peias das formações de combate.
Cada qual faz por si, negaceando e avançando sempre para a realização do intento collectivo: e são efficientes, por isso.
Mas, poderá se dar o caso de uma surpreza terrivel.
O cangaço não é romantico: - é pratico: á victoria conquista, palmo a palmo, a lances dramaticos de heroismo, Lampeão ha de de preterir o assalto subito, estonteante, quando as ruas estiverem desertas e a noite lhe for cumplice.
Disseminada a cabroeira, aos poucos, pela cidade, - o estallo secco do primeiro cartucho queimado, mais outro, e outro mais, até que se fundam em fuzilaria atroante.
E emquanto o panico tumultuar na terra assaltada, osque, e a retirada, rapida e inevitavel, para a caatinga, onde seria uma temeridade procural-o...
Deve ser esse o plano do bandido: - porque é assim que se faz no cangaço...
E se desmoralizada for, por esse golpe, de astucia, a phalange cabocla da guarnição de Petrolina, Joazeiro, que dista dali apenas alguns minutos em paquete, soffrerá, certamente, si não tiver uma organisação forte de defesa: forte em numero e armas, e forte na pratica desse genero de lutas.

AS PRIMEIRAS NOTICIAS DO BANDIDO

As primeira noticias da approximação do bandido foram aqui recebidas pelo coronel Octacilio Nunes de Souza, através do seguinte telegramma:
- “Octacilio Nunes – Bahia – Lampeão novamente proximidades Bôa Vista, destino Petrolina. Providencie junto governador enviar forças urgente aqui defesa cidade. estamos seriamente ameaçados”.
Immediatamente o coronel Octacilio endereçou ao sr. Estacio Coimbra, o telegramma abaixo
Dr. Estacio Coimbra – Rio – Lampeão approxima-se Bôa Vista destino Petrolina. População alarmada abandona cidade. Rogo vossencia energicas promptas providencias lembrando intimas relações vossencia governo Bahia. Este poderia mais presteza assegurar garantias. Cordiaes saudações.
(a) – Octacilio Nunes de Souza
”.
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma pulseira de ouro de Maria Bonita


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A esposa do cangaceiro Lampeão dispôs de algumas jóias coletadas por este ao longo da sua jornada.
Provavelmente as principais foram aquelas levadas quando do seu saque da residência da Baronesa de Água Branca
Quando do massacre de Angicos, que exterminou o grupo de Lampeão, várias jóias da antiga baronesa foram encontradas e levadas pelos volantes.
comandante João Bezerra

Algumas destas jóias foram levadas pelo comandante João Bezerra e doados à esposa de Getúlio Vargas. Dentre estas estavam um relógio, um trancelim e uma pulseira, todos em ouro.
Getulio e Darcy Vargas

Aqui a pulseira, atualmente pertencente a acervo particular, gravada "Maria", identificando a esposa de Virgulino Ferreira, o Lampeão, identificada e fotografada pelo estudioso Orlins Santana, que gentilmente forneceu as imagens a este blog.
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