terça-feira, 15 de novembro de 2016

Christino Gomes da Silva Cleto

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O cangaceiro Corisco ou, como ele assinava, Curisco chamava-se Christino Gomes da Silva. Assinava, além deste, uma denominação de família, "Cleto".
Atualmente, na onda de modismos de modificações de nomes referenciais do Cangaço, como Lagoa do Lino, deturpada para Lagoa do Limo, a denominação familiar de Corisco também foi afetada.
Alguns passaram a chamá-lo  "Quileto".
Um documento assinado por Corisco, de propriedade do seu filho, Sylvio Bulhões, mostra claramente que ele assinava "Cleto".

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Como citar
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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"Matar a perfessora de Tracupá!"


Professora Mariana Borges Cabral

"No vilarejo de Tracupá lecionava a professora Mariana, um dos alvos de Lampião. Momentos sofridos vivenciou ali a dedicada professora Mariana Borges Cabral...
Encontrava-se a professora no oitavo mês de gestação, quando foi avisada pelo então prefeito doutor Theotônio Martins que Lampião se aproximava de Tucano... E, dentre os objetivos do cangaceiro, um deles era matar a professora responsável pela escola de Tracupá... Imaginemos o medo, o pavor sentido pela professora! Na ausência de seguranças, fez dos alunos seus protetores e, como a escola estava localizada no alto, os alunos ficavam observando quem entrava no lugarejo... Como o grupo dos cangaceiros tinha características próprias, foi fácil a identificação e o aviso imediato à professora, que, ao narrar este dia, costumava dizer:
- Que dia de agonia! Eu grávida, quase na hora de dar à luz, tendo que correr e me esconder em uma caatinga tão castigada pela seca, com poucas folhagens... Como ficar escondida? Onde me abrigar? Andei mais rápido que podia e caí junto aos paus-de-rato... Fiquei ali. Rezei muito. Pedi a Deus que eles não me enxergassem. Momentos depois, todo o bando chegava ao local que eu estava. As patas dos animais estavam em minha frente e eles não me enxergavam... Agradeci a Deus. Minha oração foi forte. Ao retornar à escola, com todo o mobiliário destruído, encontrei o recado que o rei do Cangaço havia escrito na parede, usando como caneta o dedo sujo de sangue:
"PERFESSORA FOI QUE VIU QUE CORREU! NÃO FOI DESTA VEZ, MAS VAI SER DE OUTRA"


Escolinha de Tercupá, construída em 1926, conservada como era à época do ataque de Lampião

Dias depois, meu bebê nasceu, mas nasceu morto, em consequência de tudo que passei. Fiquei com uma perna inchada, arroxeada, durante toda minha vida... O tempo passou. Pensei que estava livre do ódio de Lampião. Grande engano! Voltei a enfrentar a mesma situação pavorosa. Tudo se repetiu. Recebo novamente aviso de doutor Theotônio. Meus alunos voltam a ser meus seguranças e Lampião invade Tracupá pela segunda e última vez... Deixo a escola em disparada. Corro muito, pois, desta vez, não estava grávida.... Tinha mais forças... Encontrei um casebre com uma senhora bem idosa, vestida de preto, sentada nos degraus... Pedi ajuda e falei:
- Estou perseguida por Lampião! Não tenho onde me esconder! Preciso me disfarçar!
Ela me ajudou. Vesti um vestido preto. Enrolei um pano preto na cabeça. Peguei o cachimbo e esperei Lampião chegar sentada no degrau da casinha, em companhia da outra senhora.
Aparentemente, éramos duas viúvas na casinha de caatinga, fumando seus cachimbos e pensando na vida.
Ele chegou e perguntou:
- Minhas véia viu o diabo da perfessora passar por aqui?
- Não, senhor... Não vimo...
... E, assim, enganei Lampião..."
Estes fatos sobre a perseguição de Lampião à professora Mariana me foram narrados por sua neta, Maria Miriam de Miranda Prado... Ela jamais esquece..."
Contado por Rubens Rocha, de Tucano, em seu livro "Caminhos de Lampião", de 2009.


Professor Rubens Rocha mostrando o lugar em que caiu morto o tenente Geminiano, em Tucano. 
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PS - Tracupá deve seu nome, segundo a tradição popular local, à existência de uma tribo antiga, dos "tracupã", no local.
Esta localidade já foi também conhecida pejorativamente por "Brejo".
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sábado, 15 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Evaristo... O látego do sobreviver.


Evaristo Carlos Costa seguiu uma vida cabisbaixa e penumbrosa, entre Queimadas e Santa Luzia, onde se fixou mais, após a tragédia.
Em agosto de 1939, foi promovido a 1° sargento, posto no qual veio a encerrar sua trajetória na polícia, pouco depois.
Viu Santa Luzia tornar-se Santaluz, em 1943, com o olhar obscurecido e a marcha taciturna dos que sofreram o drama, o trauma, o assombro e a tragédia de sobreviver. Mais arrastava-se que vivia.
Na década de 1960, em Santaluz, numa manhã, foi encontrado empalidecido, apavorado, trêmulo, na vendinha que, ali, abrira. A todos contou que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampeão, acabara de pedir e beber uma dose de pinga, olhá-lo nos olhos com o seu olho cego... e sair.
Correu à rua. Rodou a cidade. Procurou o quanto pôde. Foi muito difícil acalmá-lo.
Faleceu aos 86 anos de idade, sem jamais se livrar dos seus incontáveis e indesvanescíveis fantasmas. Está sepultado no cemitério de Santaluz.

Recorte do livro "SILVA FILHO, Rubens Antonio. "Cangaço na Bahia.", volume 1, no prelo.


Como citar
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